1 semana morando sozinha

Já tem um tempo que tenho sentido vontade-necessidade de morar só eu e Manuella. Mas como as coisas não estão  fáceis (lê-se crise), isso ainda vai demorar um pouco pra acontecer. Só que essa semana tivemos um preview de como isso seria.

Minha mãe operou, meu pai ficou no hospital com ela e a casa ficou só pra gente. Manuella e eu. Eu e Manuella. Eu por ela.

Aí eu vi, bem mais ou menos, como seria.

Morar com os pais é muito cômodo. Óbvio que sem contar a parte financeira e etc, mas analisando só rotina e criação. Se eu preciso tomar um banho demorado, sempre tem alguém por perto pra vigiar Manuella; se eu preciso sair; se eu quero um momento de paz; se eu não quero cozinhar; se eu estou com preguiça. Até pra brincar tem sempre alguém então eu posso relaxar e acabo não me dedicando como deveria. Acabo não me dedicando como deveria. Esse é o ponto. Aí muita gente me diz “mas é só você assumir tudo, todas as responsabilidades”. Sim, é só. Mas não é fácil desapegar do habitual. Se você mora com alguém que sempre cozinha, pra quê você precisa cozinhar?  Mais ou menos assim. E em relação a Manuella, ela não é boba, Ela sabe como ganhar o melhor pra ela. Se ela não quer dormir, sempre tem pra onde fugir. Sempre tem uma opção 2. Se eu brigo e ela quer se esquivar, sempre tem um colo pra se abrigar.

Nessa 1 semana que ficamos sozinhas, mantemos a rotina quase normal. Ela foi todos os dias para a casa do pai e quando eu chegava do trabalho, ela vinha. Quando ela chegava, brincávamos, só eu e ela, sem interferências, distrações, plateia, e vínhamos dormir. Se ela quisesse fugir, ia pra onde? Ficar sozinha na sala? Na hora do banho ou de cozinhar com ela perto, se eu não me adaptasse, não teria outra opção. Éramos nós por nós. Ficamos mais próximas, eu me senti mais próxima. Me senti mais presente e mais mãe. E mais forte também. Capaz. Gostei! E fiquei pensando como é de fato ser mãe solteira. Eu posso ser solteira, mas descobri que mãe solteira Eu não sou não. Não na prática. Não por enquanto. Porque sempre tenho um batalhão me ajudando, me assistindo, me amparando. Mãe solteira de verdade é aquela que se vira nos trinta pra sair ,voltar, lavar roupa, trocar fralda, lavar louça, tomar banho, dar banho, tudo com a criança perto, clamando atenção, sem alguém pra “dar uma olhadinha” entre uma tarefa e outra. Além de ser difícil, bem difícil, não ter ninguém pra dividir o dia-a-dia, pra tornar a criação mais leve. A exaustão, a impaciência, o auto-controle são únicos e exclusivos. Pelo menos naquele momento. Guerreiras de verdade! [Todo o trecho quando digo “mães-solteiras” também se refere a pais-solteiros, que passam da mesma forma pelos “imprevistos” citados]

E agora nesse feriado, eu continuei na experiência mãe-dona de casa. Como minha mãe já está em casa se recuperando da cirurgia, coube a mim a função de cuidar dela, pelo menos no feriado. Cuidar de quem sempre cuidou de mim. Nada mais justo. E toda hora ela me fala “agora você está vendo o que eu passo”. Porque uma coisa é você sair de manhã e voltar a noite, encontrar a casa vazia e arrumadas do jeito que você deixou, como foi na semana em que ela estava no hospital. Outra, completamente diferente, é você administrar uma casa em movimento. Cozinhar, lavar, arrumar. Cozinhar, lavar, arrumar. É um ciclo sem fim. É desgastante demais e sacal. Como minha mãe não está podendo fazer nada, nada mesmo, todas as funções são minhas. E eu estou destruída porque fiz isso 3 dias! Coitada! Meus parabéns a todas as donas de casa, porque como minha mãe diz, é o trabalho invisível que mais cansa.

Mas ainda assim, está sendo um aprendizado incrível, um passo dado. Rezo que seja só um teste, um preview, um primeiro passo pros muitos outros de independência como mãe-donadecasa-mãe solteira que estão por vir!

2 anos – Peppa Pig

Voltei!

Voltei no instagram também.

Estava com saudades. Estava meio carente e com preguiça de escrever, achando que estava escrevendo pra ninguém, mas nesse tempo recebi vários emails dizendo que os seguidores e views do blog estavam aumentando. Então há alguém! E mesmo que não, eu senti saudades.

Tanta coisa aconteceu nesse tempo, tantas maluquices de mãe pra compartilhar. Então decidi começar pelo aniversário de 2 anos dela!

Quando começamos a pensar na festa, optamos por algo simples, pequeno, em casa, só pros mais próximos. Não dá pra fazer festão todo ano! Daí fiz uma lista de organização: salão, lista de convidados, buffet, bebidas, decoração, lembrancinhas, equipe, brinquedos, mesas e cadeiras.

Como aqui no prédio tem um salão de festas não tão grande, mas ajeitadinho, resolvemos fazer aqui mesmo. IMG_2405

Como a ideia era uma festinha para os mais chegados, fechamos a lista em 80 pessoas. Mas no fim vieram umas 130! Ou seja, não sabemos fazer lista, porque isso aconteceu no chá de bebê, no aniversário de 1 e de 2 anos.

Por sorte, encontrei uma pessoa completa que fez decoração, buffet, equipe e brinquedos. Ela é daqui de São Gonçalo, mas atende muito em Niterói também e eu indico de olhos fechados! Larah Festas salvou a minha vida festa!

As lembrancinhas foram sendo as feitas aos poucos, com as ideias surgindo e por várias pessoas.

As tias e amigas me ajudaram com os pirulitos, cupcakes, centros de mesa e adesivos. Fiz o máximo de coisas que pude em casa para evitar gastar tanto e acho que deu certo. Foi super fácil encontrar coisas do tema em lojas prontas. E no final gostei muito do visual.

IMG_2388

o bolo do jeito que imaginei e pedi. E real.

IMG_2386

centros de mesa que imaginei e minha tia realizou

IMG_2389

toppers comprados prontos em qualquer loja de decoração

IMG_2390

lembrancinhas: algodão doce, caneca e sacolinha de doces

IMG_2394

sabonetes Peppa e George by mercado livre

IMG_2391 IMG_2392 IMG_2393

IMG_2397

área baby

IMG_2395

detalhe da decoração

IMG_2428

decoração completa

decoração completa

E o mais importante: Manuella brincou muito, ficou encantada com a decoração e ficou muito feliz 😀

Nada é por acaso

Segunda noite, véspera de feriado e eu estou deitada com uma neném melequenta ao lado assistindo na TV aquela porquinha que me proibo repetir o nome.
A cabeça fervilha e eu penso nas mil coisas que deveria estar fazendo. Lavando louça, estendendo roupa, passando roupas, limpando sapatos, lavando banheiro…
Penso na decoração do aniversário que está chegando, nas contas a pagar…
E penso nas coisas que poderia estar fazendo se minha vida fosse outra.
Quase 2 anos depois ainda me pego surpresa com o tanto que tudo mudou. Qualquer mulher quando se torna mãe se transforma, isso é inegável. Algumas demoram mais a perceber e entender a mudança, outras esperaram muito por isso. No meu caso, até hoje não sei. Acho que acabou sendo a surpresa mais esperada.
Quando Manuella estava pra nascer, Gabriel me disse uma coisa que nunca mais vou esquecer:
“Parece que só agora temos um motivo pra viver.”
Não lembro exatamente as palavras, mas foi próximo a isso.
E aquilo fez todo o sentido.
Se passamos 20 anos vivendo para ser feliz, para crescer, aprender, curtir, conhecer, dali em diante estaríamos vivendo por aquela criança.
É meio pesado pensar nisso. É aquela história do seu coração batendo fora do corpo. É como se fosse você mesma, só que muito além. E vai além de qualquer explicação também.
Eu com essa mania de querer entender o porquê das coisas, aprendi que simplesmente tinha que ser e foi da maneira mais linda, na hora certa, pelos melhores motivos.
Toda vez que penso na filha que gostaria de ter se pudesse escolher, é ela a ideal. Todas as vezes que sonhei com um bebê, era assim. É destino, é Deus. Foi um presente de Deus.
E hoje, apesar de tudo, tenho orgulho da mãe que me tornei. Tenho orgulho da família -nada tradicional- que temos. Tenho orgulho da filha que estou criando.
Mas ainda me julgo. Ainda tenho preconceito comigo por ser mãe jovem, por ser mãe solteira, por ser dependente dos meus pais.
Não sofro com pelas mudanças em si ou pelo que perdi. Hoje sofro pelo que ainda não conquistei.
Sabe aquelas coisas que poderia estar fazendo se minha vida fosse outra? Parecem não fazer sentido mais, parecem ultrapassadas, fora de época.
O que a maternidade me trouxe, nenhuma outra experiência me trará. O amor é clichê, não preciso falar. Agora falar sobre as mudanças, o aprendizado, a maturidade? É cada dia uma nova lição, um tapa na cara por tudo que você já fez ou já foi. É um divisor de águas.
E no fim das contas, tudo parece fazer sentido. Mesmo estranho, esquisito, torto ou imperfeito, hoje eu sei. Nada é por acaso.