Que merda de mãe eu sou?

Primeiramente, desculpe os termos. Eu me cobro muito como mãe. Me cobro estar mais presente, ser mais presente, acompanhar, ensinar. Me cobro pra poder fazer mais e melhor pela minha filha. Um bebê cresce e aprende coisas muito rápido, muda a cada dia, e eu me esforço pra não perder nada disso, apesar de trabalhar fora. Como muitas mães, eu sei. Outras tem até menos flexibilidade que eu, mera estagiária. Já ouvi inúmeras vezes mulheres ao meu lado em ônibus ligando para mães, maridos ou vizinhos, pedindo pra buscar a criança no colégio, pra “dar uma olhadinha” enquanto não chega em casa. O trânsito, o trabalho, os estudos atrapalham e complementam a rotina. Os tempos são outros. Mas eu me cobro por não participar tanto quanto gostaria, por chegar cansada e muitas vezes sem vontade ou paciência pra brincar. Mas reconheço o que faço e sei que não sou a única mãe a me sentir assim. E reconheço que essa realidade não me faz menos mãe que ninguém. Reconheço ainda, que a minha pouca idade, que já nem considero tão pouca assim, não me faz irmã da minha filha. Reconheço e assumo a autoridade de mãe que sou. E a partir do momento que alguém que me conhece se refere a Manuella como “minha irmãzinha”, cai por terra todas as minhas convicções e nasce uma mãe insegura, assustada com a imagem que está passando ao próximo. Sei que a pessoa que falou isso pode ter pensado em ser carinhosa, mas o nó na garganta e os questionamentos que me ocorreram na ocasião não foram nada carinhosos. Por que irmã? Eu não me porto como mãe? Eu não cuido, não educo, não me preocupo? Não sou eu quem acompanha a alimentação, os médicos, as vacinas, o que vai assistir, vestir, o que vai brincar ou comprar? Mesmo que tenha sido pela semelhança física e pouca idade, como assim “como vai minha irmãzinha”??? Eu não respondi e nem destratei, não tive coragem nem força pra isso. Mas não consegui esquecer. Ouvir aquilo foi como uma afronta a mim, a tudo que passo e me dedico. Como se, para o próximo, o expectador dessa minha maluquice de mae, eu não fosse mãe, e sim irmã. Livre de todas as responsabilidades, de todas as glórias e sofrimentos. E o que mais me incomoda é pensar quantas outras mães, jovens ou não, que contam com ajuda dos pais, maridos, creches, tias, para conciliar todos os ramos de suas vidas, assim como eu, mas felizmente não são chamadas de “irmãzinhas” de suas crias. O desabafo não vale como uma reclamação à senhora que me magoou, e sim como uma auto crítica à minha não reação e à mensagem que transmito para o próximo.

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