Receio de mãe

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Vai chegando a época do aniversário dela e eu fico bobinha assim. Senta que lá vem textão.

Bate um medo pelo que está por vir, pela próxima idade. Uma saudade do recém nascido, da bebê em casa. Bate um arrependimento por não ter curtido mais. Passa tão rápido. Eu já sabia.

Hoje essa modelo da foto é abusada de linda e de inteligente. Tem respostas, sacadas, jogo de cintura. Tem personalidade. Eu admiro tanto a personalidade. Digo que é uma mini-eu, mas me orgulho por ser tão diferente de mim. Tem opinião, tem decisão, bate o pé e tem que ser conforme ela quer. Na infância, isso pode ser ruim. Mas na vida, tenho a sensação que vai saber se posicionar e colher os bons frutos disso. É uma criança que se expressa, que se liberta. É diferente.

Nesse medo do que estar por vir, meu maior receio é com a educação. Não é fácil educar com duas casas, duas famílias. Não é facil educar com 4 avós. Não é facil educar aos fins de semana. Ensinar a respeitar, a agradecer, a saber pedir, a entender as diferenças.

Tento dar liberdade. Gosto de brincar, de sentar no chão, de ensinar. Quero que ela cresça podendo ser o herói ou o bichinho, a princesa ou o pirata. Não quero atentar pras diferenças do mundo, quero que ela entenda de forma natural para que seja natural. Mas quando não se faz tudo sozinha, é difícil ser “moderna” ou “politicamente correta”.

Mas dos meus maiores medos, é nao ser o que ela precisa. É falhar como mãe – nesse conceito tão amplo da palavra. É falhar sendo aquela que está presente, que aconselha, que defende. É falhar por não saber me adaptar, por não saber reagir as situações da vida. Não sei o nosso futuro, mas podem ter certeza que se cobram isso da gente, a gente se cobra muito mais.

 

Memória de elefante

Deveria estar pondo minhas séries em dia, mas estou aqui escrevendo. Deveria estar dormindo, mas estou aqui pensando: mãe é troço superestimado.

Espera-se que a mãe saiba tudo, faça tudo e pior, LEMBRE de tudo. Mãe tem que ter memória de elefante!

Você vai ao pediatra e na recepção já começa o bombardeio: qual foi a ultima vez que veio? Qual vencimento do plano? Qual ultima vez que ficou doente? Qual última vacina? Outras mães te olhando, a secretária apressada… Nunca never ever que vou lembrar! Quando encontra a médica, só piora. Além de lembrar coisas, você tem que lembrar datas e ser boa de observação. Ela tem hábito de ficar de joelhos? Ela costuma dormir em que posição? Com quantos meses sentou? Quantos anos comeu sei lá o que? Costuma ficar resfriado? Pensa rápido, pensa rápido. Sou péssima de saber hábitos!

Acho que pra isso existe aquele livro so bebê (que o de Manuella está em branco até hoje). Porque é humanamente impossível (digam que sim) alguém se lembrar de tantos detalhes. Eu decorei que ela sentou sozinha com 6 meses; andou com 11; falou “Giga” com 8; desfraldou com 2 anos e desmamou com 9 meses. Mas só.

E fora que tenho que lembrar de tudo que quero perguntar. Aí anoto, levo cola, bilhetinhos e ainda mando um whats app pra garantir.

E pior de tudo é que, como sempre, estou pagando com a língua. Sempre reclamei que a memória da minha mãe é péssima, que ela não sabe contar quase nada sobre minha infância, taí. Desculpa, mãe! Sei que não é fácil saber tudo assim de cabeça, e quando me perguntam, ai mesmo que esqueço o que sabia.

Não funciono sob pressão, ué.

 

Resposta a Carta para o baby gato

Aqui eu fiz uma Carta para o baby gato. Hoje, 2 anos e 7 meses depois, eu tenho algumas respostas pra ela.

Eu realmente não sou a melhor mãe do mundo, e na verdade acho que posso me esforçar mais. Acho até que sou um pouco parecida com meus pais. Me ouço repetindo tantas coisas que eles falavam… E sou chata! Mas é pro seu bem, juro! Amo ser sua amiga, amo te ensinar e amo o quanto nos divertimos juntas.

Você é uma menina linda, como sempre sonhei. Tem um rosto sapeca e angelical que não tem igual. É uma doce mistura minha com seu pai. Tem olhos grandes e puxados como os dele, tem bochechas arqueadas prontas pra uma mordida, tem orelhas de elfo como as minhas, nariz de batatinha como o meu, dentes grandes e sorriso largo como eu e seu pai temos. Você tem personalidade forte! E me orgulho disso em você. Você gosta de gente, de aplauso e de graça. Come bem, graças a Deus. Fruta, suco, pão e chocolate estão no topo da sua lista. E você realmente me ensinou tudo sobre você. Aos poucos e sem pressa. O seu pai continua incrível. Continua atolado e assustado, e cada vez mais apaixonado por você. A gente não faz mais tantos planos. Não dá tempo. Talvez porque ainda estamos tentando ser melhores. Ainda estamos buscando motivos pra você se orgulhar de nós. Não é fácil.

Nós realmente estamos crescendo juntas. Já passamos por tanta coisa nesses 2 anos… Você já tornou tantos “impossíveis” reais. Você tem mesmo muita paciência comigo e sempre me desculpa quando perco a razão. E essa é a maior prova de amor que poderia me dar! Obrigada por tudo, minha eterna Baby Gata. E continue a lembrar: eu estarei sempre do seu lado pro que for.